Paralisia cerebral


O que é Paralisia cerebral?

A paralisia cerebral é um conjunto de distúrbios que podem envolver as funções cerebrais e do sistema nervoso, como os movimentos, aprendizagem, audição, visão e raciocínio.
Existem vários tipos diferentes de paralisia cerebral, incluindo espástica, discinética, atáxica, hipotônica e mista.

Causas

A paralisia cerebral é causada por lesões ou anormalidades no cérebro. Muitos desses problemas ocorrem conforme o bebê cresce dentro do útero, mas podem acontecer a qualquer momento durante os primeiros dois anos de vida, enquanto o cérebro do bebê ainda está em desenvolvimento.
Em algumas pessoas com paralisia cerebral, a lesão cerebral ocorre devido a baixos níveis de oxigenação (hipoxia) na área afetada. Não se sabe porque isso ocorre.
Bebês prematuros apresentam risco ligeiramente mais alto de desenvolver paralisia cerebral. A paralisia cerebral também pode ocorrer durante a primeira infância como resultado de várias condições, incluindo:
  • Hemorragia cerebral
  • Infecções no cérebro (encefalitemeningite, infecções pelo vírus herpes simplex)
  • Lesões no crânio
  • Infecções na mãe durante a gravidez (rubéola)
  • Icterícia grave
Em alguns casos a causa da paralisia cerebral nunca é determinada.

Exames

Um exame neurológico completo é fundamental. Em indivíduos mais velhos, é importante também testar a função cognitiva.
Os demais exames a seguir podem ser realizados:
  • Exames de sangue
  • TC do crânio
  • Eletroencefalograma (EEG)
  • Audiometria
  • RM do crânio
  • Exame oftalmológico

Sinônimos

Paralisia espástica; Paralisia - espástica; Hemiplegia espástica; Diplegia espastica; Quadriplegia espástica

Mais sobre Paralisia cerebral

Consulte um médico em caso de desenvolvimento de sintomas de paralisia cerebral, especialmente se souber que a lesão ocorreu durante o parto ou no início da primeira infância.

 sintomas

Sintomas de Paralisia cerebral

Os sintomas de paralisia cerebral podem divergir muito entre as pessoas com esse conjunto de distúrbios. Os sintomas podem:
  • Ser muito brandos ou muito graves
  • Envolver somente um lado do corpo ou ambos
  • Ser mais pronunciados nos braços ou nas pernas, ou envolver tanto os braços quanto as pernas
Normalmente, os sintomas são observados antes da criança completar 2 anos de idade e, às vezes, têm início logo aos três meses. Os pais podem notar que seu filho está atrasado em sua capacidade de alcançar as coisas e nos estágios de desenvolvimento como sentar, rolar, engatinhar e andar.
Existem vários tipos diferentes de paralisia cerebral. Algumas pessoas apresentam uma mistura dos sintomas.
Os sintomas de paralisia cerebral espástica, o tipo mais comum, incluem:
  • Músculos muito rígidos e não se alongam. Eles podem ficar ainda mais rígidos com o tempo.
  • Andar (marcha) anormal: braços dobrados para os lados
  • joelhos cruzados ou se tocando
  • as pernas fazem movimentos de "tesouras"
  • andar na ponta dos pés
  • As articulações são rígidas e não abrem totalmente (denominada contratura articular)
  • Fraqueza muscular ou perda dos movimentos em um grupo de músculos (paralisia)
  • Os sintomas podem afetar um braço ou perna, um lado do corpo, as duas pernas, ou os dois braços e as duas pernas
Os sintomas a seguir podem ocorrer em outros tipos de paralisia cerebral:
  • Movimentos anormais (contorcidos, convulsivos ou retorcidos) das mãos, pés, braços ou pernas quando acordado, que pioram durante períodos de estresse
  • Tremores
  • Marcha oscilante
  • Perda de coordenação
  • Músculos flácidos, especialmente em repouso, e articulações que se movimentam muito
Outros sintomas cerebrais e no sistema nervoso:
  • É comum a diminuição da inteligência ou da capacidade de aprendizado, mas a inteligência pode ser normal
  • Problemas de fala (disartria)
  • Problemas de audição e visão
  • Convulsões
  • Dor, especialmente em adultos (pode ser difícil de controlar)
Sintomas alimentares e digestivos
  • Dificuldade para sugar ou se alimentar em bebês, ou mastigar e engolir em crianças mais velhas e adultos
  • Problemas de deglutição (em todas as idades)
  • Vômito ou constipação
Outros sintomas:

 tratamento e cuidados

Tratamento de Paralisia cerebral

Não existe cura para paralisia cerebral. O objetivo do tratamento é ajudar a pessoa a ser o mais independente possível.
O tratamento requer uma abordagem de equipe, incluindo:
  • Clínico geral
  • Dentista (recomenda-se uma avaliação odontológica a cada seis meses)
  • Assistente social
  • Enfermeiras
  • Terapeuta ocupacional, fisioterapeuta e fonoaudiólogo
  • Outros especialistas, incluindo um neurologista, um especialista em reabilitação, um pneumologista e um gastroenterologista
O tratamento baseia-se nos sintomas apresentados pela pessoa e na necessidade de prevenir complicações.
Os cuidados pessoais e domésticos incluem:
  • Alimentarse e nutrirse o suficiente
  • Manter a casa segura
  • Realizar os exercícios recomendados pelos médicos
  • Realizar os cuidados intestinais adequados (laxantes, líquidos, fibras, laxativos, hábitos intestinais regulares)
  • Proteger as articulações contra lesões
Recomenda-se colocar a criança em escolas regulares, a menos que as deficiências físicas ou o desenvolvimento mental não permitam. Educação ou escola especial podem ajudar.
Os itens a seguir podem ajudar com a comunicação e o aprendizado:
  • Óculos
  • Aparelhos auditivos
  • Apoios para os músculos e ossos
  • Muletas
  • Cadeiras de rodas
Fisioterapia, terapia ocupacional, ajuda ortopédica, entre outros tratamentos, também podem ser necessários para ajudar nas atividades e cuidados diários.
Os medicamentos podem incluir:
  • Anticonvulsivos, para prevenir ou reduzir a frequência das convulsões
  • Toxina botulínica, para ajudar com a espasticidade e a flacidez
  • Relaxantes musculares (baclofeno), para diminuir os tremores e a espasticidade
Em alguns casos, pode ser necessária cirurgia para:
  • Controlar o refluxo gastroesofágico
  • Cortar determinados nervos da coluna vertebral, para ajudar com a dor e a espasticidade
  • Inserção de sondas de alimentação
  • Aliviar contraturas articulares
Estresse e esgotamento entre os pais e outros cuidadores de pacientes com paralisia cerebral são comuns e devem ser monitorados.

 convivendo (prognóstico)

Complicações possíveis

  • Desgaste dos ossos ou osteoporose
  • Obstrução intestinal
  • Deslocamento do quadril e artrite na articulação do quadril
  • Lesões decorrentes de quedas
  • Contraturas articulares
  • Pneumonia causada por sufocação
  • Má nutrição
  • Habilidades de comunicação reduzidas (às vezes)
  • Intelecto reduzido (às vezes)
  • Escoliose
  • Convulsões (em cerca de metade dos pacientes)
  • Estigma social

Expectativas

A paralisia cerebral é um distúrbio para toda a vida. Podem ser necessários cuidados prolongados. O distúrbio não afeta a expectativa de vida. A extensão da deficiência varia.
Muitos adultos são capazes de viver na comunidade, de forma independente ou com diferentes níveis de ajuda. Nos casos graves, pode ser necessário internar o indivíduo em uma instituição.

 prevenção

Prevenção

Submeter-se a cuidados pré-natais adequados reduz o risco de algumas causas raras de paralisia cerebral. Entretanto, as melhoras drásticas nos cuidados ao longo dos últimos 15 anos não diminuíram a taxa de paralisia cerebral. Na maioria dos casos, a lesão que causa o distúrbio pode não ser evitável.
Grávidas que apresentam determinadas condições médicas podem necessitar de acompanhamento em uma clínica de pré-natal de alto risco.

 fontes e referências

  • Johnston MV. Encephalopathies. In: Kliegman RM, Behrman RE, Jenson HB, Stanton BF, eds. Nelson Textbook of Pediatrics. 19th ed. Philadelphia, Pa: Saunders Elsevier; 2011:chap 591.
  • Ashwal S, et al. Practice parameter: diagnostic assessment of the child with cerebral palsy: report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology and the Practice Committee of the Child Neurology Society. Neurology. 2004;62:851-863.
  • Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology and the Practice Committee of the Child Neurology Society, Delgado MR, Hirtz D, Aisen M, et al. Practice parameter: pharmacologic treatment of spasticity in children and adolescents with cerebral palsy (an evidence-based review): report of the Quality Standards Subcommittee of the American Academy of Neurology and the Practice Committee of the Child Neurology Society. Neurology. 2010;74:336-343.
  • Sakzewski L, Ziviani J, Boyd R. Systematic review and meta-analysis of therapeutic management of upper-limb dysfunction in children with congenital hemiplegia. Pediatrics. 2009;123:e1111-e1122.
  • http://www.minhavida.com.br/saude/temas/paralisia-cerebral

Esclerose Lateral Amiotrófica

ESCLEROSE LATERAL AMIOTRÓFICA
O que é?
A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) faz parte, junto com a Atrofia Muscular Espinal Progressiva e a Paralisia Bulbar Progressiva, de um grupo de doenças do neurônio motor (Atrofias Musculares Neurogênicas) de etiologia desconhecida, sendo distúrbios caracterizados por fraqueza muscular e atrofia por denervação.
Cinco a dez por cento dos casos são familiares, com herança autossômica dominante.
Nessa síndrome (ELA) clínica complexa, crônica e progressiva, os pacientes geralmente têm mais de 40 anos e a incidência da doença é maior em homens.
Como se desenvolve e o que se sente?
Câimbras são comuns e podem anteceder a fraqueza muscular e atrofia que se inicia pelas mãos, outras vezes pelos pés.
A doença se caracteriza por degeneração dos feixes corticospinais (via piramidal) e dos cornos anteriores da medula, motivos pelos quais poderão aparecer fraqueza muscular sem dores, atrofias musculares, fasciculações (movimentos involuntários visíveis em repouso) e espasticidade (contração súbita e involuntária dos músculos).
Este quadro começa lentamente a progredir, comprometendo finalmente os membros superiores e inferiores juntamente com a musculatura do pescoço e da língua, em alguns casos. O paciente pode manifestar dificuldade para deglutir, engolir a saliva e os alimentos (disfagia), apresentar perda de peso, e dificuldade na articulação das palavras (disartria).
A fala pode ser flácida ou contraída, podendo haver uma alternância desses dois aspectos. A dificuldade de deglutir resulta em sialorréia (salivação), enquanto as dificuldades de respirar levam a queixas de cansaço.
A morte ocorre geralmente dentro de dois a cinco anos, sendo que 20% dos pacientes sobrevivem seis anos.
Diagnóstico
Ao realizar o diagnóstico, é necessário afastar possibilidades de compressões medulares, seja por tumores da medula espinal ou patologias raquidianas. Miopatias, atrofia por escoliose cervical, disco intervertebral roto, malformações congênitas da coluna cervical e esclerose múltipla devem ser excluídos como causa da atrofia muscular.
Exames como Tomografia Computadorizada (CT) e Ressonância Magnética Raquidemular (RNM) e Eletroneuromielografia são elementos de peso para corroborar os achados clínicos. É bom lembrar que os sistemas sensitivos, os movimentos oculares voluntários e as funções intestinais e urinárias costumam ser normais.
Tratamento
Não existe tratamento específico.
Cuidados gerais, físicos e psíquicos se impõem, notando-se que até o presente momento os medicamentos chamados específicos são de pobres resultados.
Fisioterapia deve ser planejada para ajudar o paciente a se exercitar, fazer alongamento e manter alguma flexibilidade. Um terapeuta ocupacional pode providenciar dispositivos adaptados às deficiências do paciente para que ele possa manter uma relativa independência funcional. Devem ser organizados, à medida que aumentam as dificuldades de fala do paciente, esquemas ou artifícios que o ajudem a se comunicar com os familiares, amigos, enfermagem e auxiliares.
Um pneumologista é de grande auxílio para determinar quando técnicas de ventilação não-invasivas serão necessárias devido aos sintomas pulmonares e em dar assistência e cuidados a longo prazo aos pacientes que escolherem tornar-se dependentes de ventilação controlada.
Esta enfermidade não compromete as funções cerebrais, o que torna a evolução mais dolorosa para o paciente e os acompanhantes.
Prognóstico
Hoje com cuidados especiais, com traqueotomia e ventilação controlada há casos com mais de 25 anos de evolução. 

Fonte - http://www.abcdasaude.com.br/neurologia/esclerose-lateral-amiotrofica

Como é a surdez?

Surdez: como é?


Surdez: como é?
O que é surdez?
A surdez ocorre quando há dificuldade ou impossibilidade de captar, conduzir ou perceber os estímulos sonoros oriundos do ambiente.
Como é o aparelho auditivo?
Para saber melhor sobre a surdez é necessário compreender como está constituído e como funciona o aparelho auditivo. O órgão da audição pode ser dividido em três partes:
ouvido externo é formado pelo pavilhão auricular e por um canal de mais ou menos 2,5 cm de comprimento, chamado canal auditivo, que termina na membrana timpânica. A função principal do ouvido externo é captar e amplificar os sons oriundos do exterior e dirigi-los para o ouvido médio.
ouvido médio é uma cavidade cheia de ar que começa no tímpano e que contém três ossículos articulados entre si: o martelo, a bigorna, e o estribo. O tímpano é uma membrana rígida, muito resistente, que vibra como a tampa de um tambor, em consonância com as ondas sonoras captadas pelo ouvido externo e as transforma em vibrações que são levadas ao ouvido interno. Nele se abre também a tuba auditiva, estrutura que comunica essa parte do aparelho auditivo com as fossas nasais e que tem a função de equalizar a pressão daquela cavidade.
ouvido interno ou labirinto é formado pelo aparelho vestibular, pela cóclea e pelo nervo auditivo. O aparelho vestibular é constituído por canais semicirculares, responsáveis em parte pelo equilíbrio e sem funções propriamente auditivas. As ondas sonoras captadas pelo ouvido externo e tornadas vibrações pelos ossículos do ouvido médio são transformadas posteriormente em impulsos nervosos pelo ouvido interno, onde são recebidos pela cóclea e conduzidos pelo nervo auditivo até as células sensoriais auditivas do cérebro.
Como se dá a surdez?
A surdez pode se dar em virtude de dificuldades de condução dos estímulos através das vias auditivas (surdez de condução) ou por transtornos das células perceptivas da cóclea ou do centro cerebral auditivo (surdez de percepção). Ambos os tipos de surdez podem ser uni ou bilateral; parcial ou total; progressiva ou súbita; iniciarem na infância ou na idade adulta e serem de grau leve, moderado, severo ou grave.
As diferentes combinações desses fatores levam a déficits de audição que podem ser classificados em quatro categorias:
  1. Por condução: envolve perturbação na transmissão mecânica de sons (ouvido externo ou médio).
  2. Neurossensorial: resulta de dano no ouvido interno e nas fibras nervosas associadas.
  3. Mista: associação dos dois anteriores.
  4. Central: devido a lesões bilaterais do córtex auditivo ou do tronco cerebral.
Quais são as causas da surdez?
Se uma criança nasce surda (surdez congênita), a causa pode ser genética (hereditária) ou embrionária (adquirida no útero). As principais causas da deficiência congênita são:
  • Hereditariedade.
  • Viroses maternas durante a gravidez (rubéolasarampo, por exemplo).
  • Doenças tóxicas da gestante (sífiliscitomegalovírustoxoplasmose, por exemplo).
  • Ingestão pela gestante de medicamentos tóxicos que lesam o nervo auditivo do feto e consumo de álcool ou drogas pela grávida.
A deficiência auditiva pode ser adquirida posteriormente, quando ocorrem:
  • Doenças infecciosas bacterianas ou virais.
  • Tumores.
  • Ingestão de remédios tóxicos para os ouvidos.
  • Exposição a sons impactantes (como os de uma explosão) ou a sons contínuos muito altos (acima de 75 decibeis), por exemplo.
Nos idosos, a perda de audição é devida aos desgastes próprios da idade. Nem sempre nosso conhecimento é capaz de discernir e identificar todas essas causas e por isso em cerca de 50% dos casos a origem da deficiência é atribuída a ”causas desconhecidas”. Talvez seja mais fácil reconhecer as causas de perdas auditivas súbitas (unilaterais ou bilaterais). Entre elas, encontram-se:
  • Formação de coágulos nos vasos que irrigam a cóclea.
  • Processos infecciosos (saramporubéola, herpes, etc.), ou mesmo gripe comum.
  • Alergias (reação a soros, vacinas, picadas de abelha ou comidas).
  • Tumor no nervo auditivo.
  • Processos imunológicos que podem atacar a cóclea.
  • Excesso de ruído.
  • Infecção bacteriana do labirinto.
  • Degeneração neurológica.
  • Fratura do osso temporal.
  • Fístula perilinfática.
  • Obstrução dos condutos auditivos por cera ou inflamações.
A surdez de condução pode ser por causas muito variadas, de natureza e gravidade diversas (desde um tampão de cera auricular a um tumor), ligadas a uma obstrução do canal auditivo externo, a uma alteração do tímpano, a uma otite média, a uma obstrução da trompa de Eustáquio ou a um transtorno na cadeia de ossículos do ouvido médio. A surdez de percepção, também chamada de neurossensorial, deve-se a uma lesão da cóclea, onde se encontram as células de captação sensorial ou, em raras ocasiões, da área auditiva do cérebro. Sua origem também pode ser muito variada, congênita ou adquirida.
Quais são os sinais e sintomas da surdez?
Em casos de surdez de grau leve as pessoas podem ter dificuldades de constatar que ouvem menos que o normal. Quando a perda se torna um pouco mais intensa os sons podem ficar distorcidos e as palavras, por exemplo, se tornam abafadas e mais difíceis de entender. Fica difícil acompanhar uma conversação de várias pessoas falando ao mesmo tempo ou em locais onde exista eco. Mais adiante, os sons habituais tornam-se difíceis de serem ouvidos e o deficiente auditivo pede, a todo o momento, que se fale mais alto ou que se repita as palavras. Geralmente, na surdez de condução o indivíduo afetado ouve melhor em ambientes ruidosos porque o ruído de fundo não o incomoda, enquanto que obriga o interlocutor a elevar o volume da sua voz. A surdez de percepção não melhora ao elevar-se o volume dos sons (gritar, aumentar o som da televisão, etc.).
Na surdez muito grave ou total, a pessoa dá sinais de nada estar escutando. Os recém-nascidos com surdez profunda não se assustam com sons altos, como seria de se esperar. Crianças com problemas de audição têm dificuldades no desenvolvimento da linguagem e se chegarem à escola sem que ela tenha sido diagnosticada, a surdez prejudica o aprendizado. Alguns casos de surdez, na dependência de sua causa, podem ser acompanhados por sintomas adicionais como, por exemplo, dor, febre, zumbido e vertigens.
Como o médico diagnostica a surdez?
A história clínica do paciente é o primeiro passo diagnóstico. Podem seguir-se um exame direto do ouvido e testes com diapasão que visem determinar o tipo de surdez (se de condução ou percepção). Geralmente umaaudiometria complementa o diagnóstico. Se, associadamente, estiver presente a tontura, o labirinto e o sistema nervoso central devem ser investigados por meio de testes específicos. A ressonância magnética está indicada nos casos em que houver suspeita de um tumor afetando o aparelho auditivo. A surdez central é mais difícil para ser diagnosticada e frequentemente tem de ser presumida, depois de serem excluídas as demais alternativas.
Como o médico trata a surdez?
Nesse, como em todos os assuntos relativos à saúde, a prevenção é palavra-chave, mas uma vez estabelecida, a surdez muitas vezes ainda pode ser curada.
A surdez de condução pode ser tratada por meios simples, como instrumentos, medicamentos ou cirurgia, conforme o caso. Para minorar ou solucionar este tipo de surdez, além do tratamento adequado da doença de base, pode-se usar um aparelho auditivo. Já a surdez neurossensorial quase nunca tem solução. Aqui, os aparelhos auditivos não têm qualquer utilidade.
O implante coclear (dispositivo eletrônico que visa proporcionar uma sensação auditiva próxima à fisiológica), ainda raro entre nós, pode ser uma opção para os portadores de surdez neurossensorial profunda. Mas como ouvir não é apenas escutar e implica também na interpretação dos sons, um treinamento auditivo com um fonoaudiólogo é necessário, sobretudo nos pacientes que nunca escutaram antes. Na surdez dos idosos, a solução consiste no uso de uma prótese.
Como evolui a surdez?
A evolução da surdez depende do que a esteja causando. Se houver, por exemplo, surdez súbita devido a uma explosão, ou coisa semelhante, a audição pode retornar ao normal em 24 horas. Entretanto, se a exposição a ruídos muito altos (acima de 75 decibeis) for repetitiva, ela pode causar danos ao ouvido interno e a surdez poderá ser irreversível. Em crianças com otite média costuma haver acúmulo de secreção atrás do tímpano que, na maioria das vezes, é absorvida pelo organismo e a audição tende a se normalizar em algumas semanas. Na surdez do idoso e na perda auditiva por medicamentos de uso contínuo, em geral a surdez aumenta gradativamente.
Como prevenir a surdez?
A prevenção da surdez deve começar no útero, através da prevenção ou do tratamento de doenças maternas que podem afetar o desenvolvimento normal do aparelho auditivo do feto, do tratamento adequado das otitesinfantis e de cuidados com os medicamentos potencialmente tóxicos para o ouvido.
Exames preventivos de audição devem ser feitos nos recém-nascidos, porque quanto mais cedo for percebida a deficiência auditiva, mais fácil será a abordagem terapêutica. Em casa e na escola deve-se observar se há atrasos no desenvolvimento da linguagem, dificuldade de aprendizagem e isolamento, geralmente indicadores de deficiência auditiva. Deve-se evitar os ruídos contínuos acima de 75 decibeis, mas se a pessoa é obrigada a estar em locais onde eles existem, deve usar algum protetor de ouvido

O que é autismo?

O QUE É AUTISMO?

O Autismo é um termo geral usado para descrever um grupo de transtornos de desenvolvimento do cérebro, conhecido como “Transtornos do Espectro Autista” (TEA).
O TEA são um conjunto de manifestações que afetam o funcionamento social, a capacidade de comunicação, implicam em um padrão restrito de comportamento e geralmente vem acompanhado de deficiência intelectual.
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Em comum, as pessoas que fazem parte do TEA apresentam dificuldades em entender as regras de convívio social, a comunicação não-verbal, a intencionalidade do outro e o que os outros esperam dela. Com essas dificuldades funcionais, o impacto na eficiência da comunicação é muito grande, fazendo com que o desenvolvimento do cérebro social mantenha-se cada vez mais insuficiente para exercer as funções necessárias para a interação social.
O TEA é constituído pelo Autismo, a síndrome de Asperger e pelo transtorno global do desenvolvimento sem outra especificação. Nos manuais de classificação esses quadros estão localizados dentro do capítulo dos transtornos globais do desenvolvimento (TGD), que inclui além dos TEA, a síndrome de Rett e o transtorno desintegrativo.

SINTOMAS

Os sintomas do autismo normalmente permanecem com a pessoa durante toda a sua vida. Uma pessoa pouco afetada pode parecer apenas um tanto diferente e ter uma vida normal. Uma pessoa gravemente afetada pode ser incapaz de falar ou cuidar de si mesma. A intervenção precoce pode fazer uma grande diferença no desenvolvimento da criança. A maneira como seu filho age e se comporta atualmente pode ser muito diferente de como ele agirá e se comportará no futuro.

DIAGNÓSTICO

Atualmente não existe um teste médico específico para o diagnóstico de autismo. O diagnóstico baseia-se na história de vida do paciente, no comportamento observado em diversas situações e em testes educacionais e psicológicos. Como os sintomas do autismo variam, as vias para a obtenção do diagnóstico também variam. Em algumas crianças são identificados atrasos no desenvolvimento antes delas serem diagnosticadas com autismo e assim podem receber intervenção precoce ou serviços de educação especial.
Evidências recentes sugerem que os primeiros sinais do autismo podem ser vistos em crianças bem novas, com 8 a 10 meses de idade: podem ser mais passivas, mais difíceis de acalmar ou não reagem quando alguém chama seu nome.
Algumas crianças com autismo apresentam, por volta de um ano de idade, prejuízos de orientação ao estímulo social (ex: orientação social, de atenção compartilhada, de interação social e de antecipação, de balbuciar, de gestos, de pronúncias de palavras e de imitação). Alguns desses primeiros sinais podem ser notados pelos pais, outros podem apenas ser observados com a ajuda de um clínico especialista.
Os diagnósticos de TGD e autismo baseiam-se, atualmente, nos critérios internacionais propostos pelo CID (Classificação Internacional de Doenças) e pelo DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). A inclusão do diagnóstico de autismo, como um transtorno de desenvolvimento, ocorreu somente na terceira edição do DSM, em 1980, definindo o autismo como um “grave distúrbio do desenvolvimento, que compromete diferentes áreas do comportamento de forma difusa e em caráter permanente”.

DIFERENÇA ENTRE SÍNDROME DE ASPERGER E AUTISMO, OU AUTISMO COM “ALTO GRAU DE FUNCIONAMENTO”:

Os diagnósticos de TGD e autismo baseiam-se, atualmente, nos critérios internacionais propostos pelo CID (Classificação Internacional de Doenças) e pelo DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders). A inclusão do diagnóstico de autismo, como um transtorno de desenvolvimento, ocorreu somente na terceira edição do DSM, em 1980, definindo o autismo como um “grave distúrbio do desenvolvimento, que compromete diferentes áreas do comportamento de forma difusa e em caráter permanente”.
O autismo, necessariamente apresenta um prejuízo marcado e permanente na interação social, alterações de comunicação e padrões limitados ou estereotipados de comportamentos e interesses, que devem estar presentes antes dos três anos de idade.
A síndrome de Asperger, caracteriza-se por prejuízos na interação social, interesses e comportamentos limitados, porém não apresenta atraso no desenvolvimento da linguagem falada ou na percepção da linguagem. É característico o desajeitamento motor, determinados interesses que lhe ocupam toda a atenção, tendência a falar sobre o que querem, sem se dar conta do interesse do outro.
De maneira geral admite-se que no autismo as capacidades viso-espaciais e o quociente de inteligência executivo (QIE > QIV) sejam superiores. Na síndrome de Asperger, pelo contrario, as capacidades verbais são superiores, assim como o quociente de inteligência verbal (QIV > QIE).
Dados recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) agora mostram que uma em cada 88 crianças nos Estados Unidos são diagnosticadas com autismo. Os números representam um aumento de 23% nos casos entre 2006 e 2008 e 78% de aumento desde 2002. Ainda assim, é possível que o estudo esteja subestimando números reais. Um estudo publicado no ano passado mostrou incidência de autismo de um em 38 crianças na Coréia do Sul. É provável que os números no Brasil não sejam muito diferentes dos Estados Unidos, mas ainda não existe um estudo formal feito no país.
O autismo não é um transtorno que deriva de uma só causa. Na verdade, esta condição engloba um grupo de transtornos relacionados, com diferentes causas.
A maior parte das vezes, provavelmente, o autismo resulta de uma combinação de fatores de risco genéticos que interagem com os fatores de risco ambientais. Foram identificados diversos genes de suscetibilidade ao autismo, o que significa que há maior probabilidade do indivíduo desenvolver autismo se ele possui uma variante deste gene, ou, em alguns casos, uma mutação rara. Provavelmente, diversos genes contribuem para o autismo. Acreditamos que esses genes específicos interagem com determinados fatores ambientais. A maior parte da pesquisa atual busca identificar a contribuição dos fatores genéticos e ambientais para o autismo. Muito embora alguns fatores genéticos tenham sido identificados, sabemos pouco sobre a contribuição dos fatores ambientais, ainda. A exposição a agentes ambientais, tais como os agentes infecciosos (rubéola da mãe, ou o citomegalovírus), ou a agentes químicos (talidomida ou valproato) durante a gravidez podem causar o autismo. Aproximadamente, de 10 a 15% dos casos possuem uma causa genética específica, do tipo Síndrome do X-Frágil, Esclerose Tuberosa e a Síndrome de Angelman.
O tratamento para o autismo normalmente é um programa intenso e abrangente que envolve a família da criança e um grupo de profissionais. Alguns programas podem ser feitos em casa e incluir profissionais especialistas e terapeutas treinados. Alguns programas são colocados em prática dentro de uma instituição especializada, na sala de aula ou na escola de educação infantil. Não é incomum uma família optar por combinar mais de um método de tratamento.
Os programas de intervenção intensivos para os sintomas principais do autismo abordam as questões sociais, de comunicação e questões cognitivas centrais do autismo. O programa de tratamento depende das dificuldades (inabilidades) e dos pontos fortes (habilidades) da criança.
Cada fase do desenvolvimento apresenta necessidades peculiares. Na fase pré-escolar, o desenvolvimento da coordenação motora e a capacidade de adaptação ao grupo são fundamentais. Na fase de alfabetização, dificuldades podem requerer intervenção de fonoaudiólogo e psicopedagogo. Já a entrada na adolescência, pode trazer novas dificuldades e requerer outras prioridades de intervenção.

O que é deficiência visual?

É o comprometimento parcial (de 40 a 60%) ou total da visão. Não são deficientes visuais pessoas com doenças como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, que podem ser corrigidas com o uso de lentes ou em cirurgias.
Segundo critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) os diferentes graus de deficiência visual podem ser classificados em:
Baixa visão (leve, moderada ou profunda): compensada com o uso de lentes de aumento, lupas, telescópios, com o auxílio de bengalas e de treinamentos de orientação.
Próximo à cegueira: quando a pessoa ainda é capaz de distinguir luz e sombra, mas já emprega o sistema braile para ler e escrever, utiliza recursos de voz para acessar programas de computador, locomove-se com a bengala e precisa de treinamentos de orientação e de mobilidade.
Cegueira: quando não existe qualquer percepção de luz. O sistema braile, a bengala e os treinamentos de orientação e de mobilidade, nesse caso, são fundamentais.
O diagnóstico de deficiência visual pode ser feito muito cedo, exceto nos casos de doenças degenerativas como a catarata e o glaucoma, que evoluem com o passar dos anos.
Como lidar com a deficiência visual na escola?
A escola pode recomendar aos pais e responsáveis que busquem fazer o exame de acuidade visual das crianças sempre que notarem comportamentos relacionados a dificuldades de leitura, dores de cabeça ou vista cansada durante as aulas.
Compartilhe a organização dos objetos da sala de aula com o aluno, a fim de facilitar o acesso e a mobilidade. Mantenha carteiras, estantes e mochilas sempre na mesma ordem, comunique alterações previamente e sinalize os objetos para que sejam facilmente reconhecidos.
O aluno cego tem direito a usar materiais adaptados, como livros didáticos transcritos para o braile ou a reglete para escrever durante as aulas. Antecipe a adaptação dos textos junto dos educadores responsáveis pela sala de recursos, que deve contar com máquinas braile, impressora e equipamentos adaptados.
A alfabetização em braile das crianças com cegueira total ou graus severos de deficiência visual é simultânea ao processo de alfabetização das demais crianças na escola, mas com o suporte essencial do Atendimento Educacional Especializado (AEE).
Vale lembrar que, de acordo com o Decreto 6.571, de 17 de setembro de 2008, o Estado tem o dever de oferecer apoio técnico e financeiro para que o atendimento especializado esteja presente em toda a rede pública de ensino. Mas cabem ao gestor da escola e às Secretarias de Educação a administração e o requerimento dos recursos para essa finalidade.
Oferecer ambientes adaptados, com sinalização em braile, escadas com contrastes de cor nos degraus, corredores desobstruídos e piso tátil, é mais uma medida importante para a inclusão de deficientes visuais. O entorno da escola também deve ser acessível, com a instalação de sinais sonoros nos semáforos e nas áreas de saída de veículos próximas da escola.
Todos os padrões de adaptação física da escola para receber alunos com deficiência estão no documento elaborado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas "NBR 9050 - Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos".

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